Ucrânia

Україна
Ukrayina

Ucrânia
Bandeira da Ucrânia
Brasão de armas da Ucrânia
BandeiraBrasão de armas
Lema: "Volia, Zlahoda, Dobro"
(ucraniano: Liberdade, Concordância, Bondade)
Hino nacional: Ще не вмерла України ні слава, ні воля
(Shche ne vmerla Ukrayiny ni slava, ni volya)
"A glória da Ucrânia ainda não pereceu, nem a sua liberdade"
Gentílico: Ucraniano(a)

Localização Ucrânia

Localização da Ucrânia (em verde)
Território disputado da Crimeia (em verde-claro)
No continente europeu (em cinza-escuro)
CapitalQuieve
44°52'N 22°40'O
Cidade mais populosaQuieve
Língua oficialucraniano
GovernoRepública semipresidencialista
 - PresidentePetro Poroshenko
 - Primeiro-ministroVolodymyr Groysman
 - Presidente do ParlamentoAndriy Parubiy
Independênciada União Soviética 
 - Declarada24 de agosto de 1991 
 - Reconhecida25 de dezembro de 1991 
Área 
 - Total603 628 km² (43.º)
 - Água (%)7
 FronteiraRússia
Bielorrússia
Polónia
Eslováquia
Hungria
Moldávia
Roménia
População 
 - Estimativa para 201544 429 471[1] hab. (32.º)
 - Censo 200148 457 102 hab. 
 - Densidade76 hab./km² (115.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2013
 - TotalUS$ 337,360 bilhões*[2] 
 - Per capitaUS$ 7 422[2] 
PIB (nominal)Estimativa de 2013
 - TotalUS$ 175,527 bilhões*[2] 
 - Per capitaUS$ 3 862[2] 
IDH (2017)0,751 (88.º) – elevado[3]
Gini (2010)25,6[4]
MoedaGrívnia (UAH)
Fuso horárioEET (UTC+2)
 - Verão (DST)EEST (UTC+3)
Cód. Internet.ua
Cód. telef.+380
Website governamentalGoverno da Ucrânia (em inglês)

Mapa Ucrânia

A Ucrânia (em ucraniano: Україна, Ukrayina, pronunciado: ukrɑˈjinɑ) é um país da Europa Oriental que faz fronteira com a Rússia a leste e nordeste; Bielorrússia a noroeste; Polônia, Eslováquia e Hungria a oeste; Romênia e Moldávia a sudoeste; e Mar Negro e Mar de Azov ao sul e sudeste, respectivamente. O país possui um território que compreende uma área de 603.628 quilômetros quadrados, o que o torna o maior país totalmente no continente europeu.[5][6][7]

O território ucraniano começou a ser habitado há cerca de 44 mil anos[8] e acredita-se que a região seja o lar da domesticação do cavalo[9] e da família de línguas indo-europeias.[10] Na Idade Média, a nação se tornou um polo da cultura dos eslavos do leste, conhecido como a poderosa Rússia de Quieve. Após a sua fragmentação no século XIII, a Ucrânia foi invadida, governada e dividida por uma variedade de povos. Uma república cossaca surgiu e prosperou durante os séculos XVII e XVIII, mas a nação permaneceu dividida até sua consolidação em uma república soviética no século XX. Tornou-se um Estado-nação independente apenas em 1991.

A Ucrânia é considerada o "celeiro da Europa" devido à fertilidade de suas terras. Em 2011, o país era o terceiro maior exportador de grãos do mundo, com uma safra muito acima da média.[11] A Ucrânia é uma das dez regiões mais atraentes para a compra de terras agrícolas no mundo.[12] Além disso, tem um setor de manufatura bem desenvolvido, especialmente na área de aeronáutica e de equipamentos industriais.

O país é um Estado unitário composto por 24 oblasts (províncias), uma república autônoma (Crimeia) e duas cidades com estatuto especial: Quieve, a capital e maior cidade, e Sebastopol, que abriga a Frota do Mar Negro da Rússia sob um contrato de leasing. A Ucrânia é uma república sob um sistema semipresidencial com separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Desde a dissolução da União Soviética, o país continua a manter o segundo maior exército da Europa, depois da Rússia. O país é o lar de 44,6 milhões de pessoas,[1] 77,8% dos quais são ucranianos étnicos, com minorias de russos (17%), bielorrussos e romenos. O ucraniano é a língua oficial e o seu alfabeto é cirílico. O russo também é muito falado. A religião dominante é o cristianismo ortodoxo oriental, que influenciou fortemente a arquitetura, a literatura e a música do país.

História

Ver artigo principal: História da Ucrânia

Idade de ouro em Quieve (800 - 1100)

Ver artigo principal: Rússia de Quieve
Rússia de Quieve no século XI. Durante a idade de ouro de Quieve, as terras do principado alcançavam grande parte das atuais Ucrânia, Bielorrússia e Rússia europeia

Durante os séculos X e XI, o território da Ucrânia tornou-se o centro de um Estado poderoso e prestigioso na Europa, a Rússia de Quieve, o que estabeleceu a base das identidades nacionais ucraniana e das demais nações eslavas orientais nos séculos subsequentes. A capital do principado era Quieve, conquistada aos czares por Ascoldo e Dir por volta de 860. Conforme as Crônicas Nestorianas, a elite do principado era inicialmente formada por varegues provenientes da Escandinávia que foram mais tarde assimilados à população local de modo a formar a dinastia ruríquida.

A Rússia de Quieve era formado por diversos domínios governados por príncipes ruríquidas aparentados. Quieve, o mais influente de todos os domínios, era cobiçado pelos diversos membros da dinastia, o que levava a enfrentamentos frequentes e sangrentos. A era dourada do principado coincide com os reinados de Vladimir, o Grande (r. 980–1015), que aproximou o seu Estado do cristianismo bizantino, e seu filho Jaroslau I, o Sábio (1019-1054), que viu o principado atingir o ápice cultural e militar. O processo de fragmentação que se seguiu foi interrompido, em alguma medida, pelos reinados de Vladimir Monômaco (1113-1125) e de seu filho, o príncipe Mistislau I (r. 1125–1132), mas o território terminou por desintegrar-se em entidades separadas após a morte do último. A invasão mongol do século XIII desferiu ao principado o golpe de misericórdia, do qual nunca se recuperaria.

Comunidade Polaco-Lituana (1300 - 1600)

Ver artigo principal: Comunidade Polaco-Lituana
União de Lublim de 1569, por Jan Matejko, 1869, óleo sobre tela, Museu Nacional, Varsóvia

Na região correspondente ao atual território da Ucrânia, sucederam a Rússia de Quieve os principados de Galícia e de Volínia, posteriormente fundidos no Reino da Galícia-Volínia, liderado por Daniel da Rutênia. Em meados do século XIV, o Estado foi conquistado por Casimiro IV da Polônia, enquanto que o cerne da antiga Rússia de Quieve - inclusive a cidade de Quieve - passou ao controle do Grão-Ducado da Lituânia. O casamento do grão-duque Jagelão da Lituânia com a rainha Edviges da Polônia pôs sob controle dos soberanos lituanos a maior parte do território ucraniano.

Por força da União de Lublim, de 1569, que criou a Comunidade Polaco-Lituana, uma porção considerável do território ucraniano passou do controle lituano para o polonês, transferido para a coroa da Polônia. Sob pressão de um processo de "polonização", a maior parte da elite rutena (isto é, eslava ou eslavizada, mesmo que de origem lituana) converteu-se ao catolicismo. O povo, porém, manteve-se fiel à Igreja Ortodoxa, o que levou ao surgimento de tensões sociais demonstradas, por exemplo, pela União de Brest, de 1596, pela qual Sigismundo III Vasa tentou criar uma Igreja Católica Grega Ucraniana vinculada à Igreja Católica Romana. Os plebeus ucranianos, vendo-se sem a proteção da nobreza rutena - cada vez mais convertida ao catolicismo romano - voltaram-se para os cossacos (fervorosamente ortodoxos) em busca de segurança.

Cossacos (1600 - 1800)

Mapa da República das Duas Nações com as principais subdivisões maiores depois da Paz de Deulino em 1618.
   Ducado de Livônia
  Livônia sueca e neerlandesa

Em meados do século XVII, um quase-Estado cossaco, o Zaporozhian Sich, foi criado pelos cossacos do Dniepre e pelos camponeses rutenos que fugiam da servidão polonesa. A Polônia não tinha o controle efetivo daquela área, hoje no centro da Ucrânia, que se tornou então um Estado autônomo militarizado, ocasionalmente aliado à comunidade. Entretanto, a servidão do campesinato pela nobreza polonesa, a ênfase da economia agrária da Comunidade na exploração da mão-de-obra servil e, talvez a razão mais importante, a supressão da fé ortodoxa terminaram por afastar os cossacos e a Polônia. Assim, os cossacos voltaram-se para a Igreja Ortodoxa Russa, o que levaria finalmente à queda da Comunidade Polaco-Lituana.

A grande rebelião cossaca de 1648 contra a comunidade e contra o rei polonês João II Casimiro levou à partilha da Ucrânia entre a Polônia e a Rússia, após o tratado de Pereyaslav e a guerra entre Rússia e Polônia. Com as partilhas da Polônia no final do século XVIII entre a Prússia, a Áustria e a Rússia, o território correspondente à atual Ucrânia foi dividido entre o Império Austríaco e o Império Russo, aquele anexando a Ucrânia Ocidental (com o nome de província da Galícia), este incorporando o restante do território ucraniano.

Em que pese o fato de que as promessas de autonomia da Ucrânia conferidas pelo tratado de Pereyaslav nunca se materializaram, os ucranianos tiveram um papel importante no seio do Império Russo, participando das guerras contra as monarquias europeias orientais e o Império Otomano e ascendendo por vezes aos mais altos postos da administração imperial e eclesiástica russa. Posteriormente, o regime tzarista passou a executar uma dura política de "russificação", proibindo o uso da língua ucraniana nas publicações e em público.

Era soviética

O colapso do Império Russo e do Império Austro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial, bem como a Revolução Russa de 1917, permitiram o ressurgimento do movimento nacional ucraniano em prol da autodeterminação. Entre 1917 e 1920, diversos estados ucranianos se declararam independentes: o Rada Central, o Hetmanato, o Diretório, a República Popular Ucraniana e a República Popular Ucraniana Ocidental. Contudo, a derrota daquela última na Guerra Polaco-Ucraniana e o fracasso polonês na Ofensiva de Quieve (1920) da Guerra Polaco-Soviética fizeram com que a Paz de Riga, celebrada entre a Polônia e os bolcheviques em março de 1921, voltasse a dividir a Ucrânia. A porção ocidental foi incorporada à nova Segunda República Polonesa e a parte maior, no centro e no leste, transformou-se na República Socialista Soviética Ucraniana em março de 1919, posteriormente unida à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, quando esta foi criada, em dezembro de 1922.

O ideal nacional ucraniano sobreviveu durante os primeiros anos sob os soviéticos. A cultura e a língua ucranianas conheceram um florescimento quando da adoção da política soviética de nacionalidades. Seus ganhos foram postos a perder com as mudanças políticas dos anos 1930.

Vítima do Holodomor numa rua da cidade ucraniana de Kharkiv, em 1932

A industrialização soviética teve início da Ucrânia a partir do final dos anos 1920, o que levou a produção industrial do país a quadruplicar nos anos 1930. O processo impôs um custo elevado ao campesinato, demograficamente a espinha dorsal da nação ucraniana. Para atender a necessidade de maiores suprimentos de alimentos e para financiar a industrialização, Josef Stálin e Lazar Kaganovitch estabeleceram um programa de coletivização da agricultura pelo qual o Estado combinava as terras e rebanhos dos camponeses em fazendas coletivas. O processo era garantido pela atuação dos militares e da polícia secreta: os que resistiam eram presos e deportados. Os camponeses viam-se obrigados a lidar com os efeitos devastadores da coletivização sobre a produtividade agrícola e as exigências de quotas de produção ampliadas. Tendo em vista que os integrantes das fazendas coletivas não estavam autorizados a receber grãos até completaram as suas impossíveis quotas de produção, a fome tornou-se generalizada. Este processo histórico, conhecido como Holodomor (ou Genocídio Ucraniano), levou milhões de pessoas a morrerem de fome.

Na mesma época, os soviéticos acusaram a elite política e cultural ucraniana de "desvios nacionalistas", quando as políticas de nacionalidades foram revertidas no início dos anos 1930. Duas ondas de expurgos (1929-1934 e 1936-1938) resultaram na eliminação de quatro-quintos da elite cultural da Ucrânia.

Segunda Guerra Mundial

Quieve em ruínas durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade foi ocupada pela Alemanha nazista entre 1941 e 1943

Durante a Segunda Guerra Mundial, alguns membros do subterrâneo nacionalista ucraniano lutaram contra nazistas e soviéticos, indistintamente, enquanto que outros colaboravam com ambos os lados. Em 1941, os invasores alemães e seus aliados do Eixo avançaram contra o Exército Vermelho. No cerco de Quieve, a cidade foi designada pelos soviéticos como "Cidade Heroica" pela feroz resistência do Exército Vermelho e da população local. Mais de 660 000 soldados soviéticos foram capturados ali.[13][14]

De início, os alemães foram recebidos como libertadores por muitos ucranianos na Ucrânia Ocidental. Entretanto, o controle alemão sobre os territórios ocupados não se preocupou em explorar o descontentamento ucraniano com as políticas soviéticas; ao revés, manteve as fazendas coletivas, executaram uma política de genocídio contra judeus e de deportação para trabalhar na Alemanha. Dessa forma, a maioria da população nos territórios ocupados passou a opor-se aos nazistas.[13]

As perdas totais civis durante a guerra e a ocupação alemã na Ucrânia são estimadas entre cinco e oito milhões de pessoas, inclusive mais de meio milhão de judeus. Dos onze milhões de soldados soviéticos mortos em batalha, cerca de um-quarto eram ucranianos étnicos.[14]

Com o término da Segunda Guerra Mundial, as fronteiras da Ucrânia soviética foram ampliadas na direção oeste, unindo a maior parte dos ucranianos sob uma única entidade política. A maioria da população não-ucraniana dos territórios anexados foi deportada. Após a guerra, a Ucrânia tornou-se membro das Nações Unidas.[14]

Acidente nuclear de Chernobil

Ver artigo principal: Acidente nuclear de Chernobil

Em 1986, no norte da Ucrânia, aconteceu o pior acidente nuclear da história, na cidade de Chernobil.

Independência

Mais informações: Descomunização na Ucrânia
Presidente ucraniano Leonid Kravtchuk e Boris Iéltsin assinando o Pacto de Belaveja, que tornava a Ucrânia independente.

O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o país experimentou uma profunda desaceleração econômica, maior do que a de algumas das outras ex-repúblicas soviéticas. Durante a recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999,[15][16] além de ter sofrido com taxas de inflação de cinco dígitos.[17] Insatisfeitos com as condições econômicas, bem como as taxas de crime e corrupção, os ucranianos protestaram e organizaram greves.[18]

A economia ucraniana estabilizou-se até o final da década de 1990. A nova moeda, o hryvnia, foi introduzida em 1996. Desde 2000, o país teve um crescimento econômico real constante, com média de expensão do PIB de cerca de 7% ao ano.[19]

A nova constituição ucraniana, que foi adotada durante o governo do presidente Leonid Kuchma em 1996, acabou por tornar a Ucrânia uma república semipresidencial e estabeleceu um sistema político estável. Kuchma foi, no entanto, criticado por adversários por corrupção, fraude eleitoral, desestimulação da liberdade de expressão e muita concentração de poder em seu cargo. Ele também transferiu, por várias vezes, propriedades públicas para as mãos de oligarcas fiéis a ele.[20]

Revolução Laranja

Manifestantes na Praça da Independência (Maidan Nezalejnosti), no primeiro dia da Revolução Laranja
Ver artigo principal: Revolução Laranja

Em 2004, Viktor Yanukovych, então primeiro-ministro, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, que tinham sido largamente manipuladas, como o Supremo Tribunal da Ucrânia constatou mais tarde.[21] Os resultados causaram um clamor público em apoio ao candidato da oposição, Viktor Yushchenko, que desafiou o resultado oficial do pleito. Isto resultou na pacífica Revolução Laranja, a qual foi reprimida violentamente, mas que trouxe Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko ao poder, enquanto lançou Viktor Yanukovych à oposição.[22]

Yanukovych retornou a uma posição de poder em 2006, quando se tornou primeiro-ministro da Aliança de Unidade Nacional,[23] até que eleições antecipadas em setembro de 2007 tornaram Tymoshenko primeira-ministra novamente.[24]

Disputas com a Rússia sobre dívidas de gás natural interromperam brevemente todos os fornecimentos de gás à Ucrânia em 2006 e novamente em 2009, levando à escassez do produto em vários outros países europeus.[25][26] Viktor Yanukovych foi novamente eleito presidente em 2010, com 48% dos votos.[27]

Euromaidan

Ver artigos principais: Euromaidan e Revolução Ucraniana de 2014
Manifestantes do Euromaidan em Quieve em 18 de fevereiro de 2014

O protestos do Euromaidan começaram em novembro de 2013, quando os cidadãos ucranianos exigiram uma maior integração do país com a União Europeia (UE).[28][29] As manifestações foram provocadas pela recusa do governo ucraniano em assinar um acordo de associação com a UE, que Yanukovych descreveu como sendo desvantajoso para a Ucrânia. Com o tempo, o movimento Euromaidan promoveu uma onda de grandes manifestações e agitação civil por todo o país, o contexto que evoluiu para incluir clamores pela renúncia do presidente Yanukovich e de seu governo.[30]

A violência intensificou-se depois de 16 de janeiro de 2014, quando o governo aceitou as leis Bondarenko-Oliynyk, também conhecidas como leis antiprotestos. Os manifestantes antigoverno então ocuparam edifícios do centro de Quieve, incluindo o prédio do Ministério da Justiça, e tumultos deixaram 98 mortos e milhares de feridos entre os dias 18 e 20 fevereiro.[31][32] Em 22 de fevereiro de 2014, o Parlamento da Ucrânia destituiu Yanukovych por considerar o presidente incapaz de cumprir seus deveres e definiu uma eleição para 25 de maio para selecionar o seu substituto.[33]

Os resultados da eleição de 25 de maio de 2014 foram considerados pelo The New York Times como "uma vitória decisiva na eleição presidencial ucraniana" para Petro Poroshenko. Esse venceu com uma plataforma pró-União Europeia, ganhando com mais de 50% dos votos e, portanto, sem a necessidade de um segundo turno com Iúlia Timochenko, que durante a eleição só foi capaz de reunir menos de um terço de seu número de votos.[34] Poroshenko anunciou que suas prioridades imediatas seriam tomar medidas no conflito civil no leste da Ucrânia e reatar os laços diplomáticos com a Rússia.[35]

Guerra civil no leste

Protesto pró-Rússia na cidade de Donetsk em 9 de março de 2014

Após o colapso do governo de Yanukovych e a revolução resultante, em fevereiro de 2014 uma crise de secessão começou na península da Crimeia, território ucraniano que tem um número significativo de russófonos. Em 1 de março de 2014 o presidente ucraniano exilado, Viktor Yanukovich, pediu que a Rússia usasse forças militares "para estabelecer a legitimidade, a paz, a lei e a ordem para defender o povo da Ucrânia."[36] No mesmo dia, Putin pediu e recebeu autorização da parlamento russo para implantar tropas militares na Ucrânia e acabou por assumir o controle da Crimeia no dia seguinte.[37][38][39][40] Além disso, a OTAN foi considerada pela maioria dos russos como uma invasora de suas fronteiras nacionais. Isso pesou muito na decisão de Moscou de tomar medidas para proteger seu porto localizado no Mar Negro, na Crimeia.[41]

Soldados ucranianos na região leste do país.

Em 6 de março de 2014 o parlamento da Crimeia aprovou a decisão de "entrar para a Federação Russa, com os direitos de uma entidade da Federação Russa" e mais tarde realizou um referendo popular perguntando à população local se queriam juntar-se ao território russo como uma unidade federal ou se queriam restaurar a constituição de 1992 da Crimeia e seu status como parte da Ucrânia.[42] Embora tenha sido aprovada por uma esmagadora maioria, a votação não foi monitorada por terceiros e os resultados são contestados por vários países.[43][44][45] Crimeia e Sevastopol declararam formalmente a sua independência política sob o nome de República da Crimea e pediram que eles fossem admitidos como membros constituintes da Federação Russa.[46] Em 18 de março de 2014, a Rússia e a Crimeia assinaram um tratado de adesão da República da Crimeia e de Sevastopol à Federação Russa, apesar da Assembleia Geral das Nações Unidas ter votado a favor de uma declaração não vinculativa para se opor a anexação russa da península.[47]

Uma agitação popular também começou nas regiões leste e sul do país. Em várias cidades dessas regiões, como Donetsk e Lugansk, homens armados que declararam-se como uma milícia local, ocuparam prédios do governo e delegacias policiais. Conversas em Genebra, na Suíça, entre União Europeia, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos produziram uma declaração diplomática conjunta referida como Pacto de Genebra de 2014,[48] em que as partes solicitaram que todas as milícias ilegais[49] depusessem suas armas e desocupassem os prédios públicos tomados, além de estabelecer um diálogo político que poderia levar a uma maior autonomia para as regiões ucranianas.

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