República das Duas Nações

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Rzeczpospolita Obojga Narodów
Abiejų tautų respublika

República das Duas Nações
União de Estados
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Brasão de armas
15691795Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg
Flag of the Habsburg Monarchy.svg
Flag of Russia.svg
Bandeira da República das Duas NaçõesBrasão da República das Duas Nações
BandeiraBrasão
Lema
Latim: Si Deus Nobiscum quis contra nos
(Se Deus está conosco, então quem estará contra nós?)
Latim: Pro Fide, Lege et Rege
(Pela Fé, pela Lei e pelo Rei, a partir do século XVIII)
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A República em sua maior extensão (c. 1635)
CapitalCracóvia até 1596,
Varsóvia (juntamente com Grodno a partir de 1673)
Línguaslatim, polonês, ruteno e outras (ver a seção Línguas da República para detalhes)
ReligiãoCatólica Romana, ortodoxa oriental, protestantismo (no oeste), judaísmo, islamismo (principalmente os tártaros e turcos no sul)
Forma de governo
Rei da Polônia
Grão-Ducado da Lituânia
Monarquia
Lista
Lista
LegislativoSejm
História
  - Início da união
  - 1ª Partição
  - Constituição
  - 2ª Partição
  - 3ª Partição

1 de julho de 1569
5 de agosto de 1772
3 de maio de 1791
23 de janeiro de 1793
24 de outubro de 1795
Área
  - 1582815.000 km²
  - 1618990.000 km²
População
  - 1582 est.6.500.000 hab.
Densidade8 hab./km²
  - 1618 est.10.500.000 hab.
Densidade10,6 hab./km²

A República das Duas Nações, conhecida também por Comunidade das Duas Nações, Comunidade dos Dois Povos, Comunidade Polaco-Lituana ou Primeira República da Polônia, (polonês: Rzeczpospolita Obojga Narodów; lituano: Abiejų tautų respublika), foi um dos maiores e mais populosos[1] países da Europa no século XVII. Sua estrutura política — república aristocrática, semifederal e semiconfederada — foi constituída em 1569, pela União de Lublin, que uniu o Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia, e durou nesta forma até a adoção da Constituição de 3 de maio de 1791. A República abrangia não apenas os territórios do que são hoje a Polônia e a Lituânia, mas também todo o território da Bielorrússia e Letônia, grande parte da Ucrânia e Estônia e a parte ocidental da atual Rússia (óblasts de Smolensk e Kaliningrado). Originariamente as línguas oficiais da República eram o polonês e o latim (no Reino da Polônia) e o ruteno e o lituano[2] (no Grão-Ducado da Lituânia).

A República foi uma extensão da União Polaco-Lituana, uma união pessoal entre aqueles dois Estados que existia desde 1386 (ver União de Krewo). O sistema político da República, frequentemente chamado de democracia dos nobres ou liberdade dourada, foi caracterizado pela redução, por meio de leis, do poder do soberano e pelo controle do Poder legislativo (Sejm) pela nobreza (szlachta). Este sistema foi o precursor das concepções modernas de ampla democracia[3] e de monarquia constitucional,[4][5][6] bem como de federação..[7] Os dois estados que compunham a República eram formalmente iguais, embora na realidade a Polônia fosse o parceiro dominante na união.[8] A Igreja Católica Apostólica Romana tinha grande influência nos assuntos da República, mesmo assim o Estado foi capaz de manter uma relativa tolerância religiosa,[9] embora o seu grau tenha variado com o tempo.[10] Sua economia foi baseada principalmente na agricultura. Enquanto que o primeiro século da República foi uma era dourada[11][12] tanto para a Polônia quanto para a Lituânia, o segundo século foi marcado por derrotas militares, um retorno à servidão[13] para os camponeses e o crescimento do anarquismo[6][14] na vida política. Pouco antes de sua dissolução, a República adotou a segunda constituição nacional codificada mais antiga do mundo na história moderna;[15]

O Ducado de Varsóvia, constituído em 1807, remonta sua origem à República. Outros movimentos de restauração surgiram durante a Revolta de Janeiro (18631864) e na década de 1920, na tentativa fracassada de Józef Piłsudski de criar uma federação liderada pela Polônia chamada Międzymorze ("entre mares"), que incluiria a Lituânia e a Ucrânia. Hoje em dia, a República da Polônia se considera uma sucessora da República das Duas Nações[16] enquanto que a República da Lituânia, anterior à Segunda Guerra Mundial, se distanciou de qualquer associação com ela por considerar não ter sido historicamente beneficiada com sua existência.[17]

História

Ver artigo principal: História da Polônia
O brasão de armas da República das Duas Nações no tempo do reinado de Stanisław August Poniatowski, Casa da Guarda, Poznań.

A criação da República das Duas Nações pela União de Lublin em 1569 foi uma das notáveis realizações de Sigismundo II Augusto, último rei da Dinastia Jaguelônica. Sua morte em 1572 foi seguida por um interregno que durou três anos e durante o qual foram feitos ajustes no sistema constitucional que efetivamente aumentaram o poder da nobreza (a szlachta) e estabeleceram verdadeiramente uma monarquia eletiva.

A República alcançou sua era dourada na primeira metade do século XVII. Seu poderoso parlamento (o Sejm) era dominado por nobres que estavam relutantes em aceitar um envolvimento na Guerra dos Trinta Anos, poupando o país das destruições que o conflito religioso vinha trazendo para a maior parte da Europa contemporânea. A República foi capaz de defender-se sozinha contra a Suécia, a Rússia, e os vassalos do Império Otomano e, às vezes lançar-se em bem sucedidas ofensivas expansionistas contra seus vizinhos. Durante as diversas invasões à Rússia, que estava fragilizada no início do século XVII pelo Tempo de Dificuldades, as tropas da República conseguiram tomar Moscou e mantê-la sob seu controle de 27 de setembro de 1610 a 1612, quando foram expulsas por uma revolta popular ocorrida a 4 de novembro. Desde 2005 este dia é comemorado na Rússia como o Dia da União Popular (em russo, День народного единства).

O poder da República diminuiu após dois golpes seguidos: o primeiro, ocorrido em 1648, foi o da maior rebelião cossaca da História (a Revolta de Khmelnytsky nos territórios orientais de Kresy, apoiada pelo tártaro Canato da Crimeia), que resultou no pedido de proteção formulado pelos cossacos ao tsar da Rússia.[18] (1654), fazendo com que gradualmente a influência russa sobre a Ucrânia suplantasse a polonesa. O outro golpe para a República foi o da invasão sueca em 1655 (apoiada pelas tropas do duque da Transilvânia, Jorge II Rakoczy e Frederico Guilherme I, Eleitor de Brandemburgo), conhecida como O Dilúvio, provocada pelas políticas dos reis da Casa real sueca de Vasa.

No final do século XVII, a debilitada República, sob o governo do Rei Jan III Sobieski, em aliança com as forças do imperador Leopoldo I, do Sacro Império Romano-Germânico, impôs derrotas esmagadoras ao Império Otomano: em 1683, a Batalha de Viena foi o marco decisivo que pôs fim a uma luta de 250 anos entre as forças da Europa cristã e o Império Otomano, islâmico. Por suas lutas ao longo dos séculos para deter o avanço muçulmano, a República ganharia o nome de "Antemurale Christianitatis" (vanguarda da cristandade).[7] Nos dezesseis anos seguintes (na "Grande Guerra Turca") os turcos seriam empurrados para o sul do rio Danúbio e nunca mais voltariam a ameaçar a Europa Central.

No século XVIII, a República enfrentou muitos problemas internos e ficou vulnerável às influências estrangeiras. A desestabilização do sistema político chegou à beira do anarquismo. As tentativas de reformas, como aquelas feitas pela Sejm de quatro anos de 17881792, que culminou na Constituição de 3 de maio de 1791, chegaram tarde demais e o país foi desmembrado em três ocasiões por seus vizinhos, o Império Russo, o Reino da Prússia e a monarquia dos Habsburgos. Pelo ano de 1795 a República das Duas Nações havia sido completamente apagada do mapa da Europa. Polônia e Lituânia restabeleceram suas independências, como países separados, somente em 1918.

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