Miss Brasil
English: Miss Brasil

Miss Brasil Universo
TipoConcurso de Beleza
Fundação1954
SedeSão Paulo, Brasil
Sítio oficialMiss Brasil

O Miss Brasil é o mais tradicional concurso de beleza feminino realizado anualmente e que visa eleger, entre as representantes de cada unidade federativa do país, a representante nacional da beleza da mulher brasileira. A vencedora de cada edição representa o país no Miss Universo.

O concurso existe desde 1954, quando a baiana Martha Rocha tornou-se a primeira Miss Brasil. A atual Miss Brasil é a representante do estado de Minas Gerais, Júlia Horta.

O Brasil, desde então, só não participou do Miss Universo no ano de 1990.

História

Criação | 1954-1957

Olga Bergamini

Desde o ano de 1900, eleições de uma "Miss Brasil" existiam no país de maneira não consecutiva. Violeta (Bebê) Lima Castro é considerada a primeira de todas, eleita neste ano, apesar de existirem registros históricos que afirmam, inclusive, que uma francesa naturalizada brasileira tenha sido a primeira miss, ainda nos tempos do Império, em 1865. Em concursos sem continuidade anual, outras jovens também foram agraciadas com o título na primeira metade do século XX, como a santista Zezé Leone, em 1922 - que teve busto esculpido em praça pública, virou nome de música, de receita culinária e de locomotiva da Estrada de Ferro Central do Brasil e é, por várias fontes, considerada a primeira delas eleita em concurso organizado [1] - a carioca Olga Bergamini de Sá, em 1929; a gaúcha Yolanda Pereira, em 1930; as cariocas Ieda Telles de Menezes, em 1932, Vânia Pinto (a primeira modelo profissional brasileira), em 1939, e a goiana Jussara Marques, em 1949.[2] Costumeiramente, eram moças escolhidas entre a sociedade brasileira tradicional da época.

Marta Rocha no concurso Miss Universo (1954). Arquivo Nacional.

O concurso oficial, como existe hoje, começou a ser realizado regularmente em 1954, na boate do Palácio Quitandinha, então um hotel-cassino em Petrópolis, Rio de Janeiro. A partir daí, anualmente, com a interrupção em apenas um ano, as eleitas tiveram a tarefa de representar o Brasil com beleza e elegância no concurso Miss Universo, criado nos Estados Unidos dois anos antes.[3] Os maiôs Catalina, fabricados na mesma Petrópolis por uma malharia local sob licença da Catalina Swimwear - fundadora e patrocinadora do Miss Universo e do Miss EUA desde sua criação - hoje empresa do grupo norte-americano In Mocean Group (IMG), desde aquela data passou a patrocinar os concursos, fornecendo os maiôs para as misses, criando uma imagem intimamente ligada ao evento. Foi a Catalina, que então realizava um concurso de beleza de maiô na praia de Long Beach, na Califórnia, a empresa criadora do Miss USA e do concurso internacional, depois que a vencedora do já existente Miss América recusou-se a usar, por questões morais, o seu maiô, na edição de 1950.

Anos Dourados | 1958-1972

Em 1955, com a entrada dos Diários Associados na promoção e transmissão do evento, o Miss Brasil passou a ter ampla cobertura da imprensa e se tornou o segundo evento mais assistido no país, atrás apenas do jogos da Seleção Brasileira de Futebol. Com o passar dos anos, passou a ser considerado o mais bem organizado concurso nacional de beleza do mundo pela Miss Universe Inc. [4] As transmissões televisivas, encabeçadas pela Rede Tupi, passaram a ter grande audiência depois que sua sede foi transferida de Petrópolis para a então capital federal em 1958.

Ieda Maria Vargas, a primeira Miss Brasil eleita Miss Universo, em 1963.
Foto cortesia: G. Ganeroni
© 1995-2009 Pageant News Bureau, Inc.

Na década de 1960, o Brasil conquistou suas duas únicas vitórias no Miss Universo, com Ieda Maria Vargas em 1963 e Martha Vasconcellos em 1968, e sua única no Miss Beleza Internacional (concurso do qual participava a terceira colocada no Miss Brasil), com Maria da Glória Carvalho em 1968.[5] Nesse período, o país chegou às semifinais e finais de ambos os concursos por várias vezes. Em 1971, a segunda colocada daquela edição, Lúcia Petterle, Miss Guanabara, foi eleita Miss Mundo [6] - na época, a segunda colocada no Miss Brasil disputava o Miss Mundo.

Brasília | 1973-1980

Com a queda constante de público no Maracanãzinho, o local dos desfiles no Rio de Janeiro, os organizadores decidiram transferi-lo, em 1973, para o Ginásio Nilson Nelson em Brasília. A transferência ocorreu por uma razão estratégica: era na capital federal que se concentrava mais da metade das conexões de voos procedentes de todas as regiões do país (na época, cada estado poderia indicar sua candidata). Ela tinha, além de razões logísticas (a sede dos Diários Associados era na cidade), uma razão política extra: a proximidade com o poder facilitaria as recepções de presidentes da República às candidatas. No entanto, nem todos os ocupantes - caso de Ernesto Geisel - eram simpáticos às misses. Segundo trechos do Diário de Heitor Ferreira, o diário particular do secretário pessoal do então presidente, Geisel "se recusou a receber as candidatas a Miss Brasil 1974" no Palácio da Alvorada.[7]

Sem contar a antipatia do poder público, o concurso também enfrentava sucessivos problemas de perda de popularidade, tanto da presença do público no ginásio como da audiência na televisão. Esse problema se agravou em 1976, quando a marca multinacional de cosméticos Helena Rubinstein retirou seu patrocínio ao Miss Brasil. Em 1977, a Rede Tupi transmitiria o Miss Brasil ao vivo pela última vez. No entanto, a emissora continuaria a dar seu apoio até a sua falência, em 1980, quando sua situação financeira estava gravíssima e os índices de audiência "traçavam". A concordata dos Associados, provocada pelo fechamento de sete das nove emissoras da Tupi, obrigou o grupo, nos primeiros dias de 1981, a vender as franquias do Miss Brasil e do Miss Universo para o recém criado SBT, que já transmitia o concurso internacional através da então TVS e das afiliadas da então TV Record em São Paulo, São José do Rio Preto e Franca, que eram de propriedade de Silvio Santos.

Até a década de 1970, o Brasil era a maior potência da América Latina no concurso Miss Universo, com duas coroas até então e era presença constante entre as semifinalistas. Porém, no início da década seguinte o país deixou de ser protagonista para se transformar em um mero coadjuvante. A partir do Miss Universo 1981 a fase dourada do país terminou. Com a coroação da venezuelana Irene Sáez e o quarto lugar da brasileira Adriana Oliveira, o país petroleiro começou a sua fase dourada. Dali em diante a classificação de uma candidata venezuelana seria algo certo nos principais concursos de beleza do mundo. O país ganhou mais seis vezes o Miss Universo, sendo que destas vitórias três vieram num espaço de 15 anos, enquanto que o país também seria o primeiro a ganhar o concurso duas vezes seguidas, em 2008 e em 2009. [8] O Brasil ainda se classificaria duas vezes nos anos seguintes.

SBT | 1981-1989

Com a falência do sistema da Rede Tupi em julho de 1980, a responsabilidade pela promoção do Miss Brasil foi transferida para Silvio Santos, o dono do SBT, uma das redes nacionais de televisão criadas a partir da partilha determinada pelo Ministério das Comunicações. Nesse período, Marlene Brito, funcionária da rede extinta e aproveitada pelo Grupo Silvio Santos, foi incumbida pela direção da nova emissora de coordenar as atividades relacionadas ao concurso. Com a compra da licença por Silvio Santos, ele seria o apresentador fixo do concurso por nove anos. Na "era SBT", o Brasil obteve resultados pouco significativos no Miss Universo (uma finalista e três semifinalistas, além das premiações especiais de traje típico concedidas em 1981, 1987 e 1989). Com sucessivas quedas drásticas de audiência, o SBT abriu mão do Miss Brasil e do Miss Universo em 1990 e isso foi crucial para a não-participação do Brasil em Los Angeles naquele ano.

Decadência | 1990-1999

Com a retirada do SBT da promoção do Miss Brasil, Marlene Brito saiu da emissora e montou uma empresa apenas para a promoção de concursos de beleza. A nova empreitada, batizada de The Most of Brazilian Beauty, promoveu apenas os concursos de 1991 e 1992. Em 1993, por problemas de patrocínio, Marlene decidiu indicar a única miss estadual eleita para aquele ano, a Miss Rio Grande do Sul, Leila Schuster, como a candidata brasileira na edição daquele ano na Cidade do México. A coroação aconteceu num restaurante de São Paulo. Em 1994, uma associação de cronistas sociais indicou Paulo Max para gerenciar as franquias nacionais do Miss Universo e Miss Beleza Internacional. Após o falecimento de Max, em 1996, seus filhos, Paulo Max Filho e Ana Paula Sang, coordenaram o concurso de 1997 a 1999.

No entanto, as diversas trocas de franqueados afetaram seriamente o desempenho brasileiro no Miss Universo, que chegou a figurar nas semifinais apenas duas vezes: com Leila em 1993, que foi primeira colocada nas preliminares e cinco anos depois com Michella Marchi em Honolulu 1998 . Em 1996, Anuska Prado, Miss Brasil Mundo daquele ano, classificou-se em terceiro lugar no Miss Mundo, quebrando um jejum de 13 anos sem classificação do Brasil entre as 5 primeiras colocadas nos principais concursos de beleza do mundo. Em contrapartida, algumas vencedoras do concurso nacional levaram outros títulos internacionais de segunda categoria, como o Nuestra Belleza Internacional, voltado apenas para a América Latina.

Gaeta | 2000-2011

Em 2000, a Gaeta Promoções e Eventos adquiriu a franquia do concurso, que voltou a ser transmitido pela televisão, inicialmente de forma regional, através da CNT Rio de Janeiro. Dois anos mais tarde, em 2002, o concurso voltou a ser transmitido nacionalmente pela recém-criada RedeTV!. No ano seguinte, se iniciaria uma parceria com a Rede Bandeirantes e assim o concurso retornaria à mídia. Além do Miss Brasil, a emissora também transmitiria o Miss Universo. Neste ano, em 2003, Gislaine Ferreira, faria história. Ela foi uma das favoritas nas bolsas de apostas e conseguiu se classificar entre as 10 semifinalistas. Com a volta das transmissões do concurso, a emissora registrou boa audiência, chegando a ficar em 1° lugar em audiência televisiva segundo o Ibope.[9] Em 2006, Rafaela Zanella também foi semifinalista, terminando entre as 20 semifinalistas.

No entanto, o concurso realmente voltou a provocar interesse nacional em 2007, quando a mineira Natália Guimarães conseguiu o melhor resultado do país em mais de três décadas, sendo a quinta brasileira a terminar na segunda posição. Nos anos seguintes, a atenção da mídia pelo concurso mostrou crescimento, mas nenhuma de suas primeiras sucessoras (Natália Anderle, Larissa Costa e Débora Lyra) conseguiu classificação para as semifinais das edições posteriores.

Os melhores resultados brasileiros em concursos internacionais após a boa colocação de Natália não foram além de um segundo lugar no Miss Continente Americano, com Denise Ribeiro em 2009 [10], e uma classificação para as semifinais do Miss Internacional, com Rayanne Morais também em 2009, [11] ambos concursos de menor expressão e popularidade. Em 2011, durante o concurso realizado no Brasil, com o terceiro lugar de Priscila Machado o país voltou a ficar entre os cinco finalistas do Miss Universo.[12]

A coordenação nacional e geral, nesta época, ficou por conta de Boanerges Gaeta, Nayla Micherif, e a mãe desta, Nádia Micherif. Como coordenadores estaduais se destacaram Evandro Hazzy, do RS, e José Alonso, de MG. [13] [14]

Band | 2012-2014

Em 2011, com a realização do Miss Universo no Brasil, a Organização Miss Universo concedeu à Rede Bandeirantes os direitos do Miss Brasil, pondo fim aos 12 anos (2000-2011) de comando da Gaeta. [15] De 2012 a 2015, a Enter Entertainment Experience, empresa de eventos do Grupo Bandeirantes, foi responsável pela direção do concurso nacional e pela seleção das candidatas dos 27 concursos regionais, além de todos os assuntos relacionados ao mesmo. O concurso passou por modificações e as candidatas brasileiras conseguiram resultados mais expressivos: em 2012 e 2013, respectivamente, a gaúcha Gabriela Markus e a mato-grossense Jakelyne Oliveira conseguiram um Top 5 e em 2014 a cearense Melissa Gurgel conseguiu um Top 15.

A coordenação nacional e geral, nesta época, ficou por conta de Evandro Hazzy, coordenador do Miss RS durante a Era Gaeta, e de Karina Ades, da Band. [16]

Polishop | 2015-2019

Em 2015, enfrentando uma severa crise financeira, a Band fez uma parceria com a empresa de televendas Polishop, se tornando responsável apenas pela transmissão e divulgação do mesmo. [17] O concurso ficou sob a responsabilidade do empresário João Apollinário, dono da Polishop, até meados de 2019, sendo dirigido por Karina Ades, da Band, e tendo como patrocinadora principal a Be Emotion, marca de maquiagem e cuidados pessoais do grupo Polishop, sob acordo de naming rights.[18] Durante este tempo, o concurso foi nomeado Miss Brasil Be Emotion. A primeira Miss Brasil da Era Polishop (ou Era Be Emotion) foi a gaúcha Marthina Brandt, que se classificou entre as 15 semifinalistas do Miss Universo 2015.

Durante a parceria com a Polishop, o Brasil manteve a sequência de bons resultados no concurso: no Miss Universo 2016 a paranaense Raíssa Santana terminou o concurso entre as 13 semifinalistas, em 2017 a piauiense Monalysa Alcântara acabou entre as 10 semifinalistas e em 2018 a amazonense Mayra Dias ficou entre as 20 semifinalistas.

Em julho de 2019, alguns meses depois da coroação da mineira Júlia Horta, a imprensa anunciou o fim da parceria de 5 anos entre a Band e a Polishop. Além disto, a TV anunciou que não organizaria o Miss Brasil - e, por conseguinte, os concursos estaduais - em 2020. "Frente à decisão de não renovar o contrato, a Band e a Polishop/Be Emotion deixam de ter qualquer responsabilidade acerca da realização dos concursos estaduais ou nacional que tenham relação com a cadeia de concursos Miss Universo 2020", dizia a nota divulgada. [19]

Segundo o Observatório da Televisão, do UOL, "a decisão já vinha sendo estudada desde 2018, uma vez que os concursos de misses não têm o mesmo prestígio de antes, não conseguindo atrair anunciantes e o público. Os resultados decepcionantes do Miss Brasil 2019 foram determinantes. (...) A audiência foi muito baixa. Em São Paulo a média foi de 1,8 pontos de Ibope. É o menor resultado da história dos concursos de misses na TV brasileira." [20]

Natália Guimarães & Evandro Hazzy | 2020 em diante

Em julho de 2019, após o fim da parceria com a Polishop, a imprensa anunciou que o Brasil não teria representação no Miss Universo 2020, sem a Band, no entanto, ter se pronunciado sobre o assunto. [21]

No dia 03 de outubro de 2019, Natália Guimarães postou em seu Instagram que os fãs deveriam esperar uma "nova era" para o Miss Brasil. "Preparem-se para uma nova era, um novo ciclo! Aguardem novidades incríveis!", escreveu. Já Evandro Hazzy em seu Facebook respondeu aos fãs que o concurso viria com um "novo formato". [22] [23]

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