Fernando II de Aragão

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Fernando II & V
Rei de Castela e Leão
Reinado15 de janeiro de 1475
a 26 de novembro de 1504
PredecessoraIsabel I (sozinha)
SucessoraJoana
Co-monarcaIsabel I
Rei de Aragão e das Coroas Aragonesas
Reinado20 de janeiro de 1479
a 23 de janeiro de 1516
PredecessorJoão II
SucessoresJoana e Carlos I
 
EsposasIsabel I de Castela
Germana de Foix
DescendênciaIsabel de Aragão
João, Príncipe das Astúrias
Joana de Castela
Maria de Aragão
Catarina de Aragão
CasaTrastâmara
Nascimento10 de março de 1452
 Sos, Aragão
Morte23 de janeiro de 1516 (63 anos)
 Madrigalejo, Castela
EnterroCapela Real, Catedral de Granada, Granada, Espanha
PaiJoão II de Aragão
MãeJoana Henriques
ReligiãoCatolicismo

Fernando II & V (Sos, 10 de março de 1452Madrigalejo, 23 de janeiro de 1516), apelidado de "o Católico", foi o Rei de Aragão e das Coroas Aragonesas como Fernando II de 1479 até sua morte, e também Rei de Castela e Leão como Fernando V entre 1475 e 1504 em direito de sua esposa a rainha Isabel I. Além disso, ele foi regente de sua filha Joana em Castela e Leão de 1508 até sua morte e imperador titular do Império Bizantino de 1502 a 1516. Era filho do rei João II de Aragão e sua esposa Joana Henriques.

Fernando é conhecido por seu papel em inaugurar a redescoberta do Novo Mundo já que ele e Isabel patrocinaram a primeira viagem de Cristóvão Colombo em 1492. No mesmo ano ele se saiu vitorioso da Guerra de Granada, que expulsou o último estado islâmico da Península Ibérica e dessa forma também colocando um fim na Reconquista.

Biografia

Fernando nasceu em 10 de março de 1452, filho de D. João II e Joana Henriques.[1] Por desejo da mãe, nasceu em terras aragonesas (ela se achava na Navarra, nas disputas de sucessão entre seu enteado Carlos e seu esposo, o rei João II), vindo ela até a mansão de Sada, na fronteira com a Navarra, na aldeia de Sos. Reconhecido herdeiro da coroa aragonesa por morte do irmão Carlos príncipe de Viana em 1461. Nomeado lugarteniente general ou lugar-tenente geral da Catalunha em 1462 e em 1468 rei da Sicília (Fernando II da Sicília). Já aos 16 anos de seus amores com uma dama, chamada Aldonça, nasceu seu primeiro filho, o bastardo Afonso de Aragão, futuro arcebispo de Saragoça.

Durante a guerra civil catalã de 1462-1472, na qual participou ativamente, ficou familiarizado com a administração de um Estado, incumbido pelo pai. Morrendo o primo, infante Afonso de Castela, em 1468, e tendo sido sua prima a infanta Isabel, meia-irmã do rei de Castela Henrique IV, reconhecida como herdeira do irmão, João II de Aragão envidou os maiores esforços para conseguir o casamento de Fernando com a princesa castelhana, que se realizou em outubro de 1469. Mas a morte de Henrique IV em 1474 provocou uma verdadeira guerra civil em Castela pois havia partidários de Isabel mas também partidários da filha de Henrique (ou não…) Joana, que ficaria apelidada la Beltraneja por acreditarem ser filha do fidalgo Beltrán de La Cueva com a rainha portuguesa. Joana era apoiada por seu tio, o rei D. Afonso V de Portugal, que se casou com ela para melhor defender seus direitos. Fernando, depois longas negociações com a receosa nobreza castelhana, foi proclamado co-regente de Castela, com os mesmos direitos que Isabel, pela chamada Concórdia de Segóvia em 1475. Tomou parte ativa na direção militar e contribuiu para a vitória, sobretudo depois da batalha de Paleagonzalo (1476). Com seu casamento uniram-se em suas pessoas os dois reinos, governados doravante como um único país, embora oficialmente separados. Tornou-se também em 1504 Fernando III de Nápoles.[2]

Entre 1476-1477 foi administrador da Ordem de Santiago.

A guerra acabou com a derrota de Joana. Pelo Tratado de Alcáçovas (1479), Joana renunciaria ao trono em favor de Isabel e, como acordado, entrou para um convento em Coimbra. Em 1479 mesmo Fernando herdou do pai o trono de Aragão. 1479 é assim a data que se fixa para a união das duas Coroas.

Segundo a Concordia de Segovia, Fernando colaborou com Isabel no governo de Castela, encarregando-se em pessoa da política externa, sem deixar de tratar dos assuntos da Coroa de Aragão. Primeiras medidas internas: em 1480 se institucionalizou a figura do corregidor; em 1481 foi criada a Inquisição; sancionaram-se nobres rebeldes e reorganizou-se a fazenda real. Os reis iniciaram a seguir em 1481 a conquista do Reino Nasrida de Granada: foi guerra difícil, de sítio, terminada apenas em 1492 e na qual Fernando demonstrou suas qualidades militares e diplomáticas. Granada capitulou em 2 de janeiro de 1492. A conquista do último reduto muçulmano em terras da península espanhola (ver Al-Andalus) ajudou a consolidar a autoridade real.

Em Aragão, Fernando não mudou o sistema político tradicional, que dificultava a concentração de poder nas mãos do rei, e deu fim em seus Estados ao problema dos remensas catalães, com a abolição dos maus usos e a consolidação dos contratos de enfiteuse. Introduziu em Castela algumas instituições aragonesas como os consulados - o Consulado do Mar, de Burgos e os grêmios, favorecendo o desenvolvimento econômico castelhano e sobretudo o comércio da lã.

No aspecto religioso, Fernando aderiu completamente ao programa da esposa, que assentou as bases ideológicas da Espanha moderna, aceitando o espírito de cruzada e a uniformidade religiosa (decreto de expulsão dos judeus em 1492 e conversão forçada dos chamados mouriscos ou moriscos de Granada em 1503, os quais tinham visto garantidos em seus direitos de liberdade religiosa após a capitulação do reino de Granada. Por isso o papa espanhol Alexandre VI, lhes concedeu o título de Reis Católicos.[3]

Expansão aragonesa

A partir de 1492, Fernando centralizou as suas atividades na antiga expansão de Aragão rumo ao Oriente, sobretudo à península Itálica e ao norte da África. Pelo Tratado de Barcelona (1493), recuperou o Rossilhão e a Cerdanha, ocupados desde 1463 pela França. Na península Itálica, para se opor à intenção francesa de anexar o reino das Duas Sicílias ou de Nápoles e Sicília, organizou a "Liga Santa" em 1495, o seu primeiro grande sucesso diplomático internacional. Os êxitos de suas campanhas militares (nas quais o seu exército foi dirigido por Gonzalo Fernández de Córdoba, o Grande Capitão) e a sua própria astúcia, conseguiram expulsar a dinastia reinante dos Anjou e, em 1504, os franceses. A partir de então, Nápoles se agregou às posses do monarca.

Ainda contra a França, executou uma sábia política de alianças matrimoniais, conseguindo integrar a Castela na Europa pelo casamento de suas filhas Isabel e posteriormente Maria com Manuel I de Portugal; de seu filho João com Margarida de Áustria; de Joana (Joana I de Castela) com o arquiduque Filipe, o Formoso; e de Catarina de Aragão com Henrique VIII da Inglaterra. Isolava assim a França, que fracassou em suas intervenções na Itália.

Obteve ainda apoio na Guerra Civil de Navarra e, depois de conseguir o apoio de Pamplona, conseguiu fazer com que as Cortes de Navarra entrassem em acordo para que o Reino de Navarra se unisse à Coroa de Castela em 1515, juntando-o a seus domínios. No norte de África, mostrou-se contrário a prolongadas ocupações e restringiu as suas ações à ocupação de algumas praças-fortes no litoral do Mediterrâneo.

Estátua de Fernando II em Madrid ( J. León, 1753).

Enquanto isso, o descobrimento da América por Cristóvão Colombo e a rápida ocupação e explotação do continente fortalecia a posição internacional dos Reis Católicos.

Morrendo Isabel em 1504, foi nomeado regente de Castela,[4] mas grande parte da nobreza castelhana se aglutinou ao redor de Filipe, o Formoso, marido de sua filha Joana, fazendo com que renunciasse ao poder para evitar confronto armado. Pelo tratado intitulado Concórdia de Villafáfila (1506), Fernando se retirou para Aragão e Filipe foi proclamado rei de Castela como Filipe I.

Esperando ainda ter um herdeiro varão para herdar a coroa aragonesa, Fernando se casou em 1505 com Germana de Foix, descendente dos condes de Foix (1490-1538) e neta da rainha Leonor de Navarra. Os esforços para agradar à esposa, muitos anos mais jovem, teriam estado na origem das causas que provocariam sua morte. A morte inesperada do genro Filipe o Formoso, e a incapacidade da filha (que seria chamada Joana I a Louca) obrigaram-no a aceitar a regência castelhana em nome do neto, o futuro Carlos I de Espanha. Desta vez, entregou-se mais aos assuntos da Itália, tomando parte na Liga de Cambrai contra Veneza em 1511) e deixando entregue o governo de Castela ao Cardeal Cisneros. Em Novembro de 1511, Fernando e Henrique VIII de Inglaterra assinaram o Tratado de Westminster. No início desse ano, Fernando conquistou a metade meridional do Reino de Navarra anexada à Espanha.

No testamento, deixou todas as suas possessões ao neto, Carlos de Gand, futuro Carlos I de Espanha ou imperador Carlos V do Sacro Império Romano. Até sua chegada, pois vivia nos Países Baixos paternos, permaneceu como regente um seu filho bastardo, Afonso de Aragão, e o cardeal Cisneros, como regente de Castela. Morreu em janeiro de 1516 em Madrigalejo (Cáceres),[5] quando se preparava para assistir ao capítulo das Ordens de Calatrava e de Alcântara no mosteiro de Guadalupe

Alguns autores defendem que Fernando serviu de inspiração à polêmica obra de Nicolau Maquiavel, O Príncipe.

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